sábado, fevereiro 23, 2008

As frases do dramaturgo Mário de Carvalho


MÁRIO Costa Martins DE CARVALHO, n. em Lisboa, Setembro de 1944. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa. Exercício da advocacia em Lisboa. Prisão e exílio em França e na Suécia. Regresso após o 25 de Abril de 1974. Intensa actividade Política. Advogado sindical. Publicou "Contos da Sétima Esfera" em Julho de 1981. Desde aí publica regularmente, contos (entre outros "Contos vagabundos" e "Era uma vez um Alferes"), romances ("A paixão do Conde de Fróis", "Um Deus passeando pela Brisa da Tarde" e "Fantasia para dois coronéis e uma piscina") e, ainda teatro " Água em Pena de Pato" e "Se perguntarem por mim, não Estou". Vários guiões de cinema. Traduções nos EUA e R.U., França, Espanha, Alemanha, Grécia, Bulgária e uma edição no Brasil. Vários prémios literários. Crónicas no J.L. e no "Público". Ensino esparso de escrita de cinema e de teatro.

1- A solidão dos fins de semana de uma cidade que

quando para não sabe o que fazer e descobre que está só.

Então ficamos à espera que nos suceda alguma coisa, seja lá o que for.

E descobrimos que há muito mais gente que não sabe como se aproximar de nós

para contar a sua história que lhe parece mais singular do que a nossa.

E agredimos para mostrar que estamos presentes e no meio da agressão esperamos um gesto de amizade.
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2- A Burocracia descreve-nos o surreal das teias da nossa administração,

dos pequenos poderes dos funcionários subalternos, tiranos sobre os utentes e servis perante o chefe.

Toda a gente a dar opinião sobre o que não sabe,

porque a burocracia é algo de fantástico e incompreensível e insusceptível de ser explicado.
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3- Este mundo louco onde tudo pode suceder,

onde o conto do vigário está em cada esquina e as nossas fraquezas são sempre a sorte de alguém.
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4- A vida tem destas coisas

é a expressão que traduz uma certa forma de aceitação do nosso viver quotidiano,

assumido como imutável, que com mais ou menos prazer, conformado e alegre,

típico desta cidade, vamos vivendo, porque o mais importante é viver.

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