domingo, abril 15, 2007

Director de 'Titanic' ( James Cameron) diz ter encontrado túmulo de Jesus

Director disse no entanto que não questiona a Ressurreição
Intitulado The Lost Tomb of Jesus (ou "O Túmulo Perdido de Jesus", em tradução livre), o documentário foi produzido pelo diretor do filme Titanic, James Cameron, para o canal de TV Discovery Channel.
As supostas revelações do documentário fazem referência a um túmulo encontrado em 1980 no subúrbio de Talpiot, em Jerusalém. Nele, os arqueólogos encontraram dez caixões – ou repositórios de ossos – e três crânios.
Quinze anos depois, a equipe submeteu os resíduos de ossos a testes de DNA, e verificou que não havia parentesco entre os ossos que seriam de Jesus e Maria Madalena, levando-os a concluir que ambos só poderiam estar na mesma tumba se fossem casados.
Embora não questione o episódio bíblico da Ressurreição – já que não havia ossos nos caixões – o filme de US$ 2 milhões põe em questão os pilares do Cristianismo da mesma forma que o livro O Código da Vinci, de Dan Brown.
Na trama, a Igreja tenta esconder a revelação de que Jesus e Maria Madalena tiveram um filho.
Para evitar manifestações de católicos, o local onde James Cameron dará uma coletiva de imprensa, nesta segunda-feira, será mantido em segredo até o último momento.
A tumba onde os ossos foram encontrados também permanece sob guarda armada.
Mas o cientista que supervisionou as escavações em 1980, Amos Kloner, disse que os nomes eram coincidência, e qualificou o filme como "bobagem".
"É uma óptima história para um filme, mas é impossível. ele disse, segundo o jornal Jerusalem Post.
"Jesus e seus parentes eram uma família da Galiléia, sem laços com Jerusalém. A tumba de Talpiot pertencia a uma família de classe média do primeiro século."


Mas há quem diga que o facto é apenas um chamariz publicitário, provavelmente falso, para um documentário e um livro lançados pelo realizador de Titanic e O Exterminador do Futuro.
Cameron e um grupo de académicos apresentaram duas urnas de pedra que terão abrigado os ossos de Jesus e Maria Madalena, descobertas que são o tema do documentário A Última Tumba de Jesus, produzido pelo cineasta, e do livro A Tumba da Família de Jesus.
As duas pequenas caixas foram encontradas com outras oito durante uma construção na zona sul de Jerusalém. Vários tinham inscrições traduzidas como Jesus, Maria Madalena e Judá, filho de Jesus, disse Cameron em entrevista colectiva na Biblioteca Pública de Nova York, cercado por académicos e arqueólogos.
«Este é o começo de uma investigação que prossegue», disse Cameron. «Se vierem à luz coisas que destruam essa investigação, que assim seja». Se verdadeiras, as revelações devem provocar a ira dos cristãos, por contrariar a crença de que Jesus ressuscitou e ascendeu aos céus.
O documentário segue as pegadas do enorme sucesso do romance O Código DaVinci, que argumenta que Maria Madalena teve um filho com Jesus. Shimon Gibson, um dos arqueólogos que descobriram a tumba, disse à Reuters na entrevista colectiva que sentia um «saudável cepticismo» em relação à ideia de que ela pertenceu à família de Jesus, mas crê que o assunto merece mais investigação.
Em Jerusalém, o arqueólogo local que fez escavações na área a pedido do governo contestou as conclusões do documentário. Segundo Amos Kloner, a gruta de 2.000 anos continha caixões pertencentes a uma família judia cujos nomes são parecidos com os de Jesus e seus parentes.
«Posso dizer positivamente que não aceito a identificação como pertencendo à família de Jesus em Jerusalém», disse Kloner à Reuters. «Não aceito que a família de Miriam e Yosef (Maria e José), os pais de Jesus, tinham uma tumba familiar em Jerusalém.»
«Eles eram uma família paupérrima. Residiam em Nazaré, vieram a Belém a fim de que o parto fosse aqui - então não aceito, nem historicamente, nem arqueologicamente», disse Kloner, professor do Departamento de Arqueologia e Estudos da Terra de Israel na Universidade de Bar-Ilan, nos arredores de Tel Aviv.
Após descobertos, os ossos foram enterrados segundo a tradição ortodoxa, restando apenas as caixas com inscrições e resíduos humanos cujo DNA actualmente está sendo analisado.
O professor L. Michael White, da Universidade do Texas, divulgou também as dúvidas sobre a veracidade da descoberta. «Isso é para tentar vender documentários», disse, acrescentando que uma série de rígidos testes deveriam ser conduzidos antes que uma urna ou uma inscrição possa ser apresentada como antiga. «Não é arqueologicamente sensato, é uma fanfarra».
Reuters



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