sábado, maio 06, 2006

SE NÃO ME FALHA A MEMÓRIA

SE BEM ME LEMBRO

Vejo num calendário perpétuo, para onde me levou um sonho inesperado, que o 30 de Junho de 1959 era terça feira, tinha eu apenas 12 meses de idade, no meu sitio amparado . Como ainda não inventaram nada que nos permita consultar o arquivo real do nosso próprio tempo, algo como um cinema dos episódios quotidianos de toda a nossa vida, a esta hora estou nos braços de minha mãe, à porta da rua, vendo uma camioneta passar. meu pai não está — ele é comerciante e não larga a mercearia — mas minha irmã mais velha, sim, pois há uma certa vibração de ciúme no ar que não me deixa muito à vontade. Bato as pernas e os braços, exasperado com a pressão psicológica. Os meus cabelos macios distraem um pouco a curiosidade das vizinhas, que agora se juntaram à minha mãe para dizer um monte de asneiras sobre mim. mãe sabe muito bem que pôs no mundo um menino, que para ela é o mais lindo e está toda feliz da vida com aquele projecto de poeta nos braços. Moramos num sitio de casas brancas dentro de uma ilha. Há um bar ao lado da minha casa e oiço o alarido de todos aqueles homens desgostosos com a vida. Minha irmã mais nova está ao meu lado acariciando levemente com as costas da são mãozinha…
Chega a noite e a lua que vai toda chorosa para o céu e fica muito bonita lá em cima. De repente, sinto que minha mãe me passa para outros braços, alguém que chegou de forma sorrateira - É o meu pai. tem uma voz forte, mas simpática e parece que está perguntando pelo jantar. minha mãe vai para cozinha e prepara o jantar e a minha papinha, que bom! Depois de comer minha mãe põe-me no berço. Depois disso não me lembro mais nada. Assim foi o meu primeiro aniversário, acho que foi um dia bom.

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