sábado, outubro 17, 2009

Emigrante morto em casa durante dois anos

Um emigrante português morreu, há dois anos, em sua casa, nos arredores de Paris. Mas só na passada segunda-feira foi encontrado.

Sentado num cadeirão e "literalmente mumificado”. Foi assim que os bombeiros encontraram um português, de 62 anos, morto há dois, num apartamento dos arredores de Paris, para onde emigrara. Apesar do cheiro do corpo em decomposição, ninguém deu pela sua morte.

José Gomes de Macedo, natural de de Vila Verde (Braga), era reformado da construção civil e vivia, há oito anos, em Beauregard, na periferia oeste de Paris. Há vários anos que a família, incluindo a mulher de quem estava separado e que reside em Portugal, não tinha notícias dele.

Um alerta anónimo feito de uma cabina telefónica, em Poissy, na noite de domingo para segunda-feira, levou os bombeiros ao local. Foi através do número de série da prótese auditiva que as autoridades o identificaram.

Ao longo dos dois últimos anos, a renda de casa continuou a ser paga por transferência bancária automática, “como é normal”, esclareceu uma funcionária no escritório da instituição que gere os vários prédios de habitação social onde vive grande número de emigrantes. A electricidade, no entanto, estava cortada no apartamento de José Gomes de Macedo.

“Nunca demos por nada nem desconfiámos de nada. O senhor era um homem muito discreto. As rendas foram sempre pagas. A nossa preocupação é mais com aqueles que não pagam a renda...”, justificou aquela funcionária.

“Não é normal alguém morrer e estar dois anos sem ninguém dar por nada. É preciso colocar questões ao banco, aos correios, à empresa de electricidade. Um homem morre e já ninguém percebe?”, indignou-se um lojista.

A caixa do correio de José Gomes Macedo estava cheia de correspondência desde 2007. No frigorífico, os bombeiros encontraram iogurtes com data desse ano.

O caso foi classificado de “chocante e trágico” pelo embaixador de Portugal, Francisco Seixas da Costa.
“Este foi o momento mais chocante de toda a minha vida diplomática de mais de trinta anos”, frisou.

A comunidade de Beauregard, Poissy, Yvelines, na periferia de Paris, manifestou-se chocada relativamente “solidão total” do emigrante português encontrado dois anos após ter morrido na casa onde vivia.

sábado, outubro 03, 2009

Fóssil de antepassado humano revelado


A investigação revela que ao contrário do que se pensava, não há um antepassado comum com o chimpanzé

Um esqueleto de uma fêmea de hominídeo primitivo que viveu há 4,4 milhões de anos demonstra que os humanos não evoluíram do antepassado comum aos homens e aos chimpanzés.
A investigação revela que ao contrário do que se pensava, não há um antepassado comum para as duas espécies, mas sim dois. Assim, os humanos descendem de uma espécie e os grandes símios provêm de outra. A pesquisa indica ainda que os chimpanzés não são um modelo desse misterioso antepassado, e que foram os símios africanos que evoluíram bastantes desde os tempos do último antepassado comum. Esta investigação põe em causa o decorrer da evolução humana e está a provocar um debate internacional.
O estudo, que demorou 17 anos a analisar e a recuperar achados de um esqueleto descoberto na região de Afar, na Etiópia, foi publicado na revista científica «Science» através de 11 artigos. O esqueleto descoberto, não é o misterioso antepassado comum, mas deverá ser bastante parecido. Os 47 cientistas de 10 países apelidaram este novo hominídeo de Ardipithecus ramidus, «Ardi». Estes hominídeos são menos evoluídos que os Australopithecus.
Ardi viveu há 4,4 milhões de anos, media cerca de um metro e vinte centímetros e pesava 50 quilos. Durante o estudo os cientistas descobriram também milhares de ossos de dezenas de animais e plantas e conseguiram reconstituir o habitat natural deste hominídeo. Ardi vivia em grupo numa paisagem de floresta com cascatas de água doce, com palmeiras, figueiras e lódãos.
Os hominídeos Ardipithecus, ao contrário do que se pensava, e sugerido pela anatomia dos pés, caminhavam erguidos e apoiados pelas duas pernas. A morfologia dos dentes indica que Ardi tinha uma dieta diferente dos símios africanos e que era uma «trepadora prudente». Isto é, trepava às árvores, mas deslocava-se de gatas pelos ramos. Estes dados vêem refutar as ideias pré-existentes sobre o antepassado comum para as duas espécies. A investigação diz mesmo que os chimpanzés não são um bom modelo desse antepassado, mas que os humanos poderão ser o melhor exemplo.

NOTA;
Lódão - Árvore caducifólia, robusta, de porte mediano que pode atingir 30 m de altura. Copa arredondada, ampla e muito ramosa.