segunda-feira, novembro 17, 2008

ATUM EM VIAS EXTINÇÃO


Encontro entre 46 países sobre espécie em vias de extinção

O atum é um peixe tão comum nas prateleiras do supermercado que dizer que o futuro desta espécie se decide no encontro que hoje começou em Marraquexe, Marrocos, parece, no mínimo, fatalista. O problema é que este cenário não é assim tão radical. O Comité Internacional para a Conservação do Atum do Atlântico (ICCAT), um organismo da Comissão Europeia, vai tentar encontrar soluções para uma espécie que durante as últimas décadas viu a sua população diminuir para dez por cento em relação aos números originais.

A situação deste animal está a chegar ao limite. Nos últimos 15 anos a procura do atum por parte dos consumidores tem vindo a aumentar e em consequência disso a pesca industrial da espécie também. Segundo os especialistas não há tempo a perder - é altura de agir.

Thunnus thynnus é o nome científico do atum vermelho, mais conhecido como rabilho em Portugal, e é uma das espécies na lista vermelha dos peixes da associação ambientalista Greenpeace, por estar em risco de extinção. “A generalidade dos 'stocks' de atum está a chegar ao limite máximo de exploração e muitos deles estão a diminuir rapidamente ou encontram-se esgotados”, explica a organização não governamental em comunicado.

Durante uma semana, 46 países vão participar na XVI Reunião Anual da ICCAT para tentar chegar a um consenso sobre que posições devem tomar para tentar evitar a extinção do atum vermelho. Entre os participantes da delegação da União Europeia, está o representante português, o Director Geral das Pescas e Agricultura, Eurico Monteiro.

Contactado pelo PÚBLICO, o Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas diz que “a posição de Portugal é uma posição política tomada a nível comunitário”. Na prática, a Tutela considera prioritário que o plano de recuperação para o atum vermelho do ICCAT seja cumprido, de maneira a assegurar a recuperação deste recurso no Atlântico Este e Mediterrâneo. Mas o plano em vigor parece não estar a responder aos problemas levantados pela pesca intensiva desta espécie.

No último mês, por iniciativa do Governo espanhol, celebrou-se a Conferência sobre Biodiversidade, em Barcelona, onde 80 países aprovaram uma resolução simbólica para tentar salvar o atum vermelho. Nesse documento prevê-se a criação de um santuário no sul das Ilhas Baleares (Mediterrâneo); a ampliação dos períodos de proibição da pesca (entre Maio e Julho, actualmente o atum é capturado durante a época de reprodução); o peso mínimo de 30 quilos por animal; e quotas máximas de 15 mil toneladas anuais (agora é 30 mil).

80 navios portugueses pescam atum
Portugal possui actualmente uma frota de 80 navios de pesca neste sector, o que representa uma quota de 506 toneladas. Segundo o Ministério da Agricultura, as embarcações nacionais só capturam 30 toneladas de atum. “O remanescente é utilizado para trocas com outros Estados membros, relativamente a espécies mais importantes para a frota Portuguesa, como a pescada e o bacalhau”, explica.

Apesar destes dados, o relatório de 2007 do Instituto Nacional de Estatística para as Pescas indica que, depois da França e da Espanha, Portugal aparece como o terceiro país com maior número de quotas de pesca em relação ao atum vermelho.

Além disso, Portugal continua a ter um peso muito grande enquanto consumidor de peixe. Em comparação com a média europeia, cada português come quase três vezes mais peixe que nos restantes países (57 quilos por ano). Uma das últimas campanhas da Greenpeace pedia para que “os supermercados deixassem de vender as espécies na lista vermelha”, entre as quais consta o atum vermelho. O Ministério da Agricultura afirma que "a maior parte do peixe consumido em Portugal é importado".

Segundo dados da Greenpeace, 90 por cento das populações dos grandes peixes predadores (como o atum, o bacalhau e o peixe espada) estão esgotadas.

Agora parece haver vontade política para se alcançar um acordo na reunião do ICCAT, só não se sabe se chegará tarde de mais para recuperar o atum vermelho.
Inês Subtil

José Manuel Coelho


O único deputado do PND na Assembleia Legislativa da Madeira, José Manuel Coelho, vai estar presente na 32ª Festa do Avante, na Quinta da Atalaia, no Seixal, por ser «um comunista convicto», informa a agência Lusa.

José Manuel Coelho explica que apesar de representar um partido de direita no hemiciclo madeirense vai participar na Festa do Avante por ser «um comunista convicto» e por considerar que a sua presença no PND-M «é para combater o jardinismo, a corrupção na Madeira e pela construção de uma sociedade democrática».

Avante: uma festa que também é uma «jornada de luta»

«O PND-M é um partido de direita, um partido de valores, é um conjunto de pessoas que lutam por aqueles ideais, por uma sociedade mais justa e temos que ter a maleabilidade suficiente para fazer alianças e tácticas», realça ainda, acrescentando: «Eu faço um favor ao PND-M e o PND-M faz-me um favor por me deixar lutar pelos meus ideais».

José Manuel Coelho cita, a propósito, o Evangelho: «Não andarão dois juntos se não estiverem de acordo». «Todos os anos vou à Festa do Avante, sou um homem de esquerda, um comunista convicto mas não sou estalinista», afirma ao justificar o seu afastamento «burocrático» do PCP-M, de que foi dirigente na concelhia de Santa Cruz e da DORAM (Direcção da Organização da Região Autónoma da Madeira).

José Manuel Coelho, afastado do PCP-M desde 1999, adianta que é como um cristão: «Por não ir à missa não deixa de ser crente, assim sou eu, por ter sido afastado não deixo de ser comunista. Sou por um comunismo moderno, do século XXI, que tenha em conta a revolução tecnológica, o nosso tempo e desprovido de estereótipos estalinistas».

José Manuel Coelho é deputado na Assembleia da Madeira desde Abril quando substituiu Baltazar Gonçalves por motivos pessoais e profissionais