quinta-feira, abril 17, 2008

Cientistas prevêem súbida de mais de um metro do nível do mar até ao final do século

Um estudo apresentado em Viena revelou que:

O nível médio do mar pode subir 1,5 metros até ao final deste século. A estimativa vem de Inglaterra e foi feita pelo Laboratório Oceanográfico de Proudman com base num novo modelo. O valor é três vezes superior ao do Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas (IPCC) e, se estiver correcto, pode desalojar dezenas de milhões de pessoas em todo o mundo. O estudo foi apresentado ontem na conferência da União de Geociências Europeia, em Viena.

O nível médio do mar subiu dois centímetros no século XVIII, seis centímetros no século XIX e 19 centímetros no século XX, a informação foi adiantada por Svetlana Jevrejeva, investigadora no Laboratório inglês. Segundo a cientista, o novo modelo aplicado permitiu uma reconstrução cuidada do nível médio das águas dos últimos 2000 anos.

“Nos últimos dois milénios o nível das águas foi muito estável”, informou Jevrejeva, “mas parece que a subida rápida durante o século XX foi devido ao derretimento das massas de gelo”. O debate sobre a evolução desta tendência continua aceso, os cientistas do IPCC prevêem que o valor vai ser entre os 18 e os 59 centímetros.

Para Simon Holgate, outro investigador do Laboratório Proudman, o cálculo do IPCC subestima o processo. Segundo o laboratório, o IPCC não teve em conta certas dinâmicas. O derretimento das massas de gelo promove uma movimentação mais rápida destas camadas, o que por sua vez aumenta o derretimento do próprio gelo e acelera a subida do nível das águas.

Steve Nerem, da Universidade do Colorado, nos EUA, também prevê um aumento de 1 metro até 2100. Segundo o cientista, este aumento não vai ser uniforme em todo o globo. Por isso seria importante aprofundarem-se os estudos para se conseguir prever os efeitos regionalmente.

Apesar de o debate continuar, a comunidade científica é unânime sobre quem vai sofrer mais com as alterações. Os países em desenvolvimento da África e da Ásia são os que têm menos capacidades para responder com infra-estruturas contra a subida do mar. “Se a subida for de um metro, 72 milhões de chineses e dez por cento da população do Vietname vai ficar sem casa”, disse Jvrejeva. Países como o Bangladesh, cuja altitude na maior parte dos sítios não ultrapassa um metro de altitude, vão estar seriamente comprometidos.

Morreu Edward Lorenz, pai da Teoria do Caos


Morreu hoje, aos 90 anos, Edward Lorenz, pai da Teoria do Caos. Lorenz defendia que pequenos acontecimentos num ponto do planeta podem originar grandes mudanças no ponto oposto – o chamado efeito borboleta. O anúncio da sua morte foi feito pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), a que Lorenz pertencia.
Lorenz, meteorologista de formação, defendeu na década de 60 que pequenas alterações em qualquer sistema dinâmico, como a atmosfera, que bem conhecia, podem desencadear grandes transformações, mesmo a muitos milhares de quilómetros de distância. Em 1972 defendeu a sua teoria num estudo a que chamou: “Previsibilidade: o bater de asa de uma borboleta no Brasil pode originar um tornado no Texas?”

Nascido em 1917 em West Hartford, no Connecticut, Lorenz formou-se em matemática em Harvard, em 1940 e especializou-se depois em meteorologia no MIT entre 1943 e 1948. A inclinação para esta área surgiu quando cumpria serviço militar, durante a II Grande Guerra, onde trabalhou na previsão meteorológica para a Força Aérea norte-americana.

“Quando era pequeno fascinavam-me os números e as alterações do tempo”, disse um dia numa autobiografia. Kerry Emanuel, professor de ciências atmosféricas no MIT defende que Lorenz foi o motor daquilo a que chama a terceira revolução científica do século XX: “mostrando que certos sistemas determinísticos apresentam limites de previsibilidade, Lorenz cravou o último prego no caixão do Universo cartesiano e impulsionou aquilo a que podemos chamar a terceira revolução científica do século XX, abrindo caminho para a relatividade e para a física quântica”.

Sobre Lorenz, Emanuel acrescenta que “era um perfeito cavalheiro e, pelo seu nível de inteligência, integridade e humildade, elevou o seu padrão de valores, e o das gerações que com ele privaram, a um nível muito alto. Em 1991, quando ganhou o prémio Kyoto (que distingue quem contribui com a ciência, cultura e espiritualidade para o bem da humanidade), o júri defendeu a escolha do seu nome dizendo que a Teoria do Caos determinístico influenciou um conjunto vasto de ciências básicas e introduziu uma das mais dramáticas mudanças desde Newton sobre o modo como a humanidade vê a natureza”.

Lorenz, que até às duas últimas semanas de vida se manteve sempre activo, deixa três filhos e quatro netos.

Da Teoria do Caos

A teoria estabelece que uma pequena mudança ocorrida no início de um evento qualquer pode ter conseqüências desconhecidas no futuro. Isto é, se você realizar uma ação nesse exato momento, essa terá um resultado amanhã, embora desconhecido. O meteorologista norte-americano Edward Lorenz descobriu, no início da década de 1960, que acontecimentos simples tinham um comportamento tão desordenado quanto à vida. Ele chegou a essa conclusão após testar um programa de computador que simulava o movimento de massas de ar.
Em busca de uma resposta Lorenz teclou um dos números que alimentavam os cálculos da máquina com algumas casas decimais a menos, na expectativa de que o resultado tivesse poucas mudanças. No entanto, a pequena alteração transformou completamente o padrão das massas de ar. Segundo ele seria como se o bater das asas de uma borboleta no Brasil causasse, tempos depois, um tornado no Texas. Fundamentado em seus estudos, ele formulou equações que demonstravam o “efeito borboleta”. Origina-se assim a Teoria do Caos. Alguns cientistas concluíram também que a mesma imprevisibilidade aparecia em quase tudo, do número de vezes que o olho pisca até a cotação da Bolsa de Valores. Para reforçar essa teoria, na década de 1970 o matemático polonês Benoit Mandelbrot notou que as equações de Lorenz coincidiram com as que ele próprio havia feito quando desenvolveu os fractais (figuras geradas a partir de fórmulas que retratam matematicamente a geometria da natureza, como o relevo do colo, etc.). A junção do experimento de Lorenz com a matemática de Mandelbrot indica que a Teoria do Caos está na essência de tudo, dando forma ao universo.

O BATER DAS ASAS DE UMA BORBOLETA NUM EXTREMO DO GLOBO TERRESTRE, PODE PROVOCAR UMA TORMENTA NO OUTRO EXTREMO NO ESPAÇO DE TEMPO DE SEMANAS.
Teoria do Caos - Edward Lorenz

O caos e o medo do caos, atraem mais caos!
teoria do caos