Um jovem muito rico foi encontrar-se com um sábio e lhe pediu um conselho para orientar a vida. Este o conduziu até a janela e perguntou: O que vê através dos vidros? Vejo homens que vão e vêm, e um cego pedindo esmolas na rua. Então, o sábio mostrou-lhe um grande espelho e novamente o interrogou: Olhe neste espelho e diga-me agora o que vê. Vejo a mim mesmo. E já não vê os outros! Repara que a janela e o espelho são ambos feitos da mesma matéria-prima, o vidro; mas no espelho, porque há uma fina camada de prata colada a vidro, não vê nele mais do que a sua pessoa. Deve comparar a estas duas espécies de vidro. Quando pobre, via os outros e tinha compaixão por eles. Coberto de prata, rico, vê apenas a sua imagem. Só valerá alguma coisa quando tiver coragem de arrancar o revestimento de prata que tapa os olhos para poder de novo ver e amar os outros...
O homem por detrás do balcão olhava a rua de forma distraída.
Uma menina se aproximou da loja e amassou o narizinho contra o vidro . Os olhos da cor do céu, brilhavam quando viu um determinado objecto. Entrou na loja e pediu para ver o colar de turquesa azul.
- É para minha irmã. Pode fazer um pacote bem bonito? diz ela.
O dono da loja olhou desconfiado para a menina e lhe perguntou:
- Quanto de dinheiro tens?
Sem hesitar, ela tirou do bolso da saia um lenço todo amarradinho e foi desfazer os nós. Colocou-o sobre o balcão e feliz, disse:
- Isso dá?
Eram apenas algumas moedas que ela exibia orgulhosa.
- Sabe, quero dar este presente para minha irmã mais velha. Desde que morreu nossa mãe ela cuida de nós e não tem tempo para ela. É aniversário dela e tenho certeza que ficará feliz com o colar que é da cor de seus olhos.
O homem foi para o interior da loja, colocou o colar em um estojo, embrulhou com um vistoso papel vermelho e fez um laço bonito com uma fita verde.
- Toma! - disse para a menina. Leva com cuidado.
Ela saiu feliz saltitando pela rua abaixo.
Ainda não acabara o dia quando uma linda jovem de cabelos loiros e olhos azuis entrou na loja. Colocou sobre o balcão o já conhecido embrulho desfeito e indagou:
- Este colar foi comprado aqui?
- Sim, senhora.
- E quanto custou?
- Ah!, falou o dono da loja. O preço de qualquer produto da minha loja é sempre um assunto confidencial entre o vendedor e o cliente.
A moça continuou:
- Mas minha irmã tinha somente algumas moedas! O colar é verdadeiro, não é? Ela não teria dinheiro para pagá-lo!
O homem tomou o estojo, refez o embrulho com extremo carinho, colocou a fita e o devolveu à jovem.
- Ela pagou o preço mais alto que qualquer pessoa pode pagar. - ELA DEU TUDO O QUE TINHA.
O silêncio encheu a pequena loja e duas lágrimas rolaram pela face emocionada da jovem enquanto suas mãos tomavam o pequeno embrulho.
"A verdadeira doação é dar-se por inteiro, sem restrições. A gratidão de quem ama não coloca limites para os gestos de ternura. Seja sempre grato, mas não espere pelo reconhecimento de ninguém. A gratidão com amor não apenas aquece quem recebe, como reconforta quem oferece."